sábado, 18 de janeiro de 2020

bacante
















vem Dionísio
com tua taça embriagante
porque o brilho dos teus olhos atrás do vinhedo
causa-me a  sede de todo o princípio
original desejo
dissimulando a maçã sabor vinho
ao primeiro falso pecado

à social dissimulação
brindemos
em taça
a inversão do fato

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                                              - Graça Carpes
 

sábado, 30 de novembro de 2019

temores














as mãos de minha mãe eram leves
cansadas de lavar louça


pálidas 

talvez de medo
sustentando em seus dedos
uma aliança de ouro e
um anel de rubi


o quanto eu amava olhar o vermelho a sobressair
na palidez da pele

havia também um outro anel
brilhante
guardado em  gaveta escura
junto ao brilho oculto
dos  olhos dela


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                               - Graça Carpes -


quarta-feira, 10 de julho de 2019

anjo














há sempre um anjo que nos protege

entre cortinas brancas a balançar no

final

da

tarde

entre a bruma quase invisível

do

mar

anjos

nas avenidas

sobre teus ombros

sob teus pés

nas guerras

greves

a poesia

anjo

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                         - Graça carpes -

quinta-feira, 20 de junho de 2019

ciclos























tudo é cíclico

assim a

água assim

a

alma

o

karma

é produção própria

o que se

pensa o que

causa a causa

da

doença

é produção própria

o que se come

o que

evapora

volta




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        - Graça Carpes

domingo, 26 de agosto de 2018

sonhei
















sonhei  sempre
                      sonhei
uma janela em
            rendas
dançando
em meio ao
mar

fragilidade dos chakras

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                                   - Graça Carpes

domingo, 12 de agosto de 2018

sobre pedras











percebo a Poesia
em sua composição primária
língua
corpo
passos
por  vezes  também
em almas penadas transitando a invisibilidade do tempo

foi quando  imprimi meus pés sobre as pedras de Paraty
                         e assim em todas as anteriores vezes
com passos bambas
saltitante
tentando acertar-me sobre outras tantas tortas pedras
foi que a presença negra agarrada ao tornozelo  meu

senti

seus braços aprisionados em  extensos grilhões
tentando talvez
libertar-se da prisão do tempo

olhos em desespero
brotavam
arrastando-se ao movimento

finjo não ouvir os gritos que emergem do  subsolo de teu principado
gritos muitos hoje mudos  
perderam-se ecoando atrás do  bando Olodum

percebo a Poesia
em sua composição primária
língua
corpo
passos
e
dor

- Já lhe falei sobre um poeta ter visões ?
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                                                                             - Graça Carpes -


sábado, 17 de fevereiro de 2018

travessia














acabou a fantasia

lamento informar

mas pressinto chegar a hora

de arrumarmos a mochila e migrar

para fora da América Latrina

arrumem suas silenciosas panelas

sacudam  suas casacas travestidas de classe média 

mudar de lado foi a ilusão mais engenhosa  e cretina que

você arquitetou

passaporte zona sul sustenta tua  Europa
 
                                                      por mirrados quinze dias

usar pancake pode branquear a face

                                     mas não dignifica a turva realidade


lamento informar

mas vampiros

batem asas sobre barcos no Atlântico

salvem-se

!

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                                             - Graça Carpes -

*imagem barco via
http://tapiocamecanica.com.br/galeria-tm-apresenta-aldebara/