segunda-feira, 14 de setembro de 2015

globalização















tempo de deslocação

fios de gentes escorrendo

horizontal

                 mente

sobre a terra

redonda e

       para além dos mares

caíram

      muros 
 
             fronteiras

                         bandeiras

cabeças

mãos olhos e dentes

avançam

          acenam

                     te miram

sorriem e sofrem

umedecidamente


tempo de reacomodação

fios de gentes escorrendo

ao teu coração



             - Graça Carpes

segunda-feira, 29 de junho de 2015

para onde a primavera?



Amo as hortências  e  brincos-de-princesa, perfumada Fuchsia lilás.

Imediatamente  aciono um tempo repleto em cantorias

 e a infância se anima  adicionando  cores. 

Cor é o primeiro segmento da arte em estado puro,

 segundo Deleuze.

Primaveras... 

Então,

 para onde levarei as sementes ?




                                                - Graça Carpes


terça-feira, 16 de junho de 2015

distante



como afirmar que o distante não nos causa efeito

?                                                                                                  

hemisférios invisíveis se interligam

tudo vibra na conexão da vida

a fome ou a alegria

a dor e o comprazimento

tudo nos chega ainda que

lento
.


                        - Graça Carpes

domingo, 14 de dezembro de 2014

notório





















as palavras despem-se na boca

e saltam

para o passeio livre e

branco da celulose

estendidas assim 

como em uma avenida em dia ensolarado

desfilam faceiras

com seus corpos de letras alongadas

as palavras

desenhando o sentido do que sou

desnudando-me por inteiro

expõe-me entre todos do mundo



Ah, pudesse eu vedar os lábios!


                         
                             - Graça Carpes

domingo, 30 de novembro de 2014

Aos vivos



as pessoas vão embora assim

no sopro suave dos ventos


dobram a esquina do tempo


carregadas depois em


carreatas de


anjos dourados


os vejo


no céu em forma de nuvens


acenando e sorrindo


nem aí para as lágrimas que descem ao chão


egoísmo puro egoísmo


essa coisa de morrer


um brinde aos que nascem


e a tudo o que está vivo


inclusive


à memória dos que já tenham ido


e aos convívios


do agora


eu brindo


!



            - Graça Carpes


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ao Sol


chuvas disfarçavam  os  céus

 assim como máscaras sobre

faces

indiferentes às calcificações e mesmices

um novo tempo  e  novos

portais se abrem

às sombras as

guerras e as traições

agora

feito ecos de monges budistas as

crianças e seus risos

sonoramente

instrumentam o universo

ao sol...

ofereço meus versos



                  - Graça Carpes


sábado, 7 de setembro de 2013

O voo das palavras


















Poesias Poemas Contos e

Textos...

tudo cai no esquecimento

o Poeta abriu a porta do tempo e

feito nuvem

aos pouco o deixa ir

e...

o tempo

incompreendido pelos homens

recebe então o nome de

Alzaimer
e

encurta a história do Poeta quase

anjo Gabriel

Garcia Marquez
.


                - Graça Carpes