as palavras despem-se na boca e saltam para o passeio livre e branco da celulose estendidas assim como em uma avenida em dia ensolarado desfilam faceiras com seus corpos de letras alongadas as palavras desenhando o sentido do que sou desnudando-me por inteiro expõe-me entre todos do mundo Ah, pudesse eu vedar os lábios! - Graça Carpes
as pessoas vão embora assim
no sopro suave dos ventos
dobram a esquina do tempo
carregadas depois em
carreatas de
anjos dourados
os vejo
no céu em forma de nuvens
acenando e sorrindo
nem aí para as lágrimas que descem ao chão
egoísmo puro egoísmo
essa coisa de morrer
um brinde aos que nascem
e a tudo o que está vivo
inclusive
à memória dos que já tenham ido
e aos convívios
do agora
eu brindo
!