terça-feira, 1 de dezembro de 2015
dezembro
é tempo de dar-se em alma e
oferenda pois
o outro
é o teu semelhante
abre as portas da alma
destranca dela as
janelas
finda o ano em tons suaves de aquarela
inunda o coração em risos e
alegrias
para que o próximo tempo
traga-te
fartura e não amarguras
para que o olhar do outro
presenteie-te em
carinhos
e que os teus olhos
sejam um infinito espaço de
recepção e aconchego
que este dezembro
ilumine-se em
poesia a ti e aos
teus
- Graça Carpes
domingo, 15 de novembro de 2015
continente humano
em tempos de umbigo
tudo que se localiza
ao ventre
parece mais importante
mas...
e a unha do pé?
e o fio do cabelo?
tudo pertence ao mesmo corpo
- Graça Carpes
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
globalização
tempo de deslocação
fios de gentes escorrendo
fios de gentes escorrendo
horizontal
mente
sobre a terra
redonda e
para além dos mares
mente
sobre a terra
redonda e
para além dos mares
caíram
muros
fronteiras
bandeiras
muros
fronteiras
bandeiras
cabeças
mãos olhos e dentes
mãos olhos e dentes
avançam
acenam
te miram
sorriem e sofrem
umedecidamente
acenam
te miram
sorriem e sofrem
umedecidamente
tempo de reacomodação
fios de gentes escorrendo
ao teu coração
ao teu coração
- Graça
Carpes
segunda-feira, 29 de junho de 2015
para onde a primavera?
Amo as
hortências e brincos-de-princesa,
perfumada Fuchsia lilás.
Imediatamente aciono um tempo repleto em cantorias
e a
infância se anima adicionando cores.
Cor é o
primeiro segmento da arte em estado puro,
segundo Deleuze.
Primaveras...
Então,
para
onde levarei as sementes ?
-
Graça Carpes
terça-feira, 16 de junho de 2015
distante
como afirmar que o distante não
nos causa efeito
?
hemisférios invisíveis se interligam
tudo vibra na conexão da vida
a fome ou a alegria
hemisférios invisíveis se interligam
tudo vibra na conexão da vida
a fome ou a alegria
a dor e o comprazimento
tudo nos chega ainda que
lento
.
- Graça Carpes
domingo, 14 de dezembro de 2014
notório
as palavras despem-se na boca
e saltam
para o passeio livre e
branco da celulose
estendidas assim
como em uma avenida em dia ensolarado
desfilam faceiras
com seus corpos de letras alongadas
as palavras
desenhando o sentido do que sou
desnudando-me por inteiro
expõe-me entre todos do mundo
Ah, pudesse eu vedar os lábios!
- Graça Carpes
domingo, 30 de novembro de 2014
Aos vivos
no sopro suave dos ventos
dobram a esquina do tempo
carregadas depois em
carreatas de
anjos dourados
os vejo
no céu em forma de nuvens
acenando e sorrindo
nem aí para as lágrimas que descem ao chão
egoísmo puro egoísmo
essa coisa de morrer
um brinde aos que nascem
e a tudo o que está vivo
inclusive
à memória dos que já tenham ido
e aos convívios
do agora
eu brindo
!
- Graça Carpes
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